Faltam 2 semanas para os 7 meses e há algumas considerações a fazer sobre como tem sido esta jornada de 25 semanas. Até agora tem corrido tudo bem. Nada de extraordinário aconteceu, que não fosse "normal" acontecer. Sofri todos os enjoos possíveis e imaginários, até me terem medicado contra a coisa. Senti tonturas nos momentos em que devia comer e não o fazia por falta de tempo. Chorei e ri ao mesmo tempo como uma maluquinha e descarreguei ondas de mau humor no marido, tal como manda a lei da gravidez. Há muita coisa que é considerada "normal" na gravidez e que é na realidade uma bela bosta, mas uma pessoa até aguenta bem, porque lá está, é normal. Só que quanto mais perto estou do final, maiores são as quantidades brutais de caca que tenho de sentir e aturar e o pior, é que nem todas se devem ao facto de estar grávida.
O aumento de peso tem sido um pequeno "grande" problema durante a gravidez. Especialmente porque está instituído entre médicos que uma grávida só deve engordar X quilos...e claro que no meu caso, onde é que a norma já está. Uma pessoa ouve de tudo nesta fase. Como se já não nos sentíssemos ligeiramente humm como dizer, focas, ainda temos de levar constantemente com comentários como, "bolas tu engordas de dia para dia", ou o meu preferido "estás a prejudicar o teu bebe!". De facto a diferença ainda é alguma, mas caramba não é preciso tanto sim. Tenho de me controlar constantemente para não responder com "Eu estou grávida, qual é a tua desculpa para estares gorda?", mas às vezes sai.
Nesta fase começo já a ter muitas dificuldades em andar muito tempo em pé, ou até mesmo caminhar durante muito tempo. Exemplo disso é que fui no fim de semana passado à feira do livro e depois de 2 horas a andar por lá, estava K.O. e pronta para vir para casa. Pior, foi que no dia da criança, peguei na malta toda e fomos para a feira. 13 crianças de 3 anos, um dia inteiro de feira com temperaturas a rondar os 35 graus. Morri. Claro que morri. Quando cheguei a casa ontem, depois de um banho de água gelada nas pernas, chorei as pedrinhas da calçada todas. As dores nas pernas e pés eram tantas e o inchaço era qualquer coisa de sobrenatural, que me assustei claro e sinto-me perto do ponto de ruptura a nível profissional. Não sei quanto tempo mais vou aguentar continuar a trabalhar. São 3 os transportes que tenho de apanhar para chegar a Lisboa e ao fim de meses a entrar sempre nas mesmas carruagens com as mesmas pessoas, ainda é um filme para me darem o lugar. No comboio lá me vou safando, mas no metro é para esquecer. Ontem por exemplo, depois daquilo tudo ainda tive de ir em pé no metro, porque ninguém dá o lugar. As pessoas fingem que não estou lá especialmente aquelas que se sentam nos lugares prioritários. E sim, eu sei que devia pedir o lugar, mas não consigo. Um dos pontos altos desta gravidez foi ter sido insultada umas duas vezes por me terem dado o lugar. Não estou para me chatear e por isso, prefiro esperar e observar as caras de cú que as pessoas fazem quando vêem uma grávida a entrar no metro. É uma autêntica experiência sociológica.
As dores nas costas durante a noite, são apenas suportáveis graças ao auxílio de uma almofada gigante que arranjei para ter na cama. Agora somos 6 a dormir. Eu e o bebe, o marido, a Nala e o Sebastião, e a almofada, que baptizei de Jerónimo. Não me perguntem porquê. Falando em Nala, tem sido tão giro ver a forma como ela me segue para todo o lado e me dá mimos. Uma querida!
E também tem sido interessante ver a forma como os meus pimpolhos de 3 anos me tentam ajudar em montes de situações, como por exemplo tirar as camas à sexta feira e arrumar os lençóis, essas coisas assim. Estão a ficar uns crescidos. Enfim... já não consigo ver os meus próprios pés (mas vejo pelos de gata na foto), estou ligeiramente cansada, esfomeada e ansiosa. Faltam 2 semanas para os 7... respira Neuza.